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Dionísio Pseudo Areopagita e o nada de Deus

Cicero Cunha Bezerra

Autor
Cicero Cunha Bezerra
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
19 / 3
Ano
2019
DOI
10.31977/grirfi.v19i3.1235
Páginas
294-304
Idioma
pt
2019Cicero Cunha Bezerra. Dionísio Pseudo Areopagita e o nada de Deus. Griot : Revista de Filosofia, v. 19, n. 3, p. 294-304, 2019.2

Seguindo uma célebre afirmação heideggeriana, poderíamos dizer que a história da filosofia ocidental se constitui como uma onto-teo-logia. Essa assertiva, que em seu contexto crítico possui um sentido teórico-metodológico delimitado para os que buscam compreender a questão norteadora da filosofia grega e, posteriormente cristã, ou seja, a do fundamento do real ou do ser, não se sustenta quando aplicada à tradição apofática dionisiana. Marcado pelo diálogo com o neoplatonismo, o Corpus areopagyticum, por sua radical característica apofática, não somente coloca em suspensão uma certa linearidade histórico-filosófica herdeira do pensamento de Platão, mas instaura um modo de tratamento da linguagem humana para com o divino que permanece em vigor até os dias atuais. Esse artigo tem como finalidade pensar, à luz do diálogo com o pensamento neoplatônico, a noção de Deus como “nada de tudo o que é” e suas consequências para a teologia negativa dionisiana.