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Direitos Humanos e soberania popular

Clélia Aparecida Martins

Autor
Clélia Aparecida Martins
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
2 / 09
Ano
2006
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v2i09p77-94
Páginas
77-94
Idioma
pt
2006Clélia Aparecida Martins. Direitos Humanos e soberania popular. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 2, n. 09, p. 77-94, 2006.3

O texto é uma análise sobre a corrente crítica à relação entre direitos humanos e soberania popular no século XX, uma interpretação segundo a qual direitos humanos significam cada vez mais intervenção estatal e, em concomitância, seguem uma proceduralização da democracia. Ao contrário dessa posição, constatamos que direitos humanos, no momento atual, são impensáveis sem planejamento estatal, sem experts e funcionários estatais para efeito de sua implementação. Isso, se compromete a idéia clássica de soberania popular que supõe legislação política por parte do povo, não a anula deveras: desde que não se pretenda manter a pureza clássica desse conceito, não parece ser incoerente pensar os direitos humanos, quando garantidos pelo Estado, como um meio, provavelmente o mais importante, de consolidação da vida democrática de um povo. Logo, se a concretização dos direitos humanos não admite ou não é acompanhada pela legislação do povo, é inegável, contudo, que é uma potencializadora de sua expressão, com o que, em decorrência, a relação entre Estado e sociedade civil não se manterá estática, podendo sofrer influências dos portadores de direitos.