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Discurso filosófico e escravidão no século XVIII: observações sobre Condorcet e Cugoano

Rodrigo Brandão

Autor
Rodrigo Brandão
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 2
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i2p90-100
Páginas
90-100
Idioma
pt-BR
2025Rodrigo Brandão. Discurso filosófico e escravidão no século XVIII: observações sobre Condorcet e Cugoano. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 2, p. 90-100, 2025.4

O presente artigo aborda alguns aspectos de duas obras antiescravagistas importantes publicadas nos últimos decênios do século XVIII: Réflexions sur l’esclavage des nègres, de Condorcet, publicada em 1781, e Thoughts and Sentiments on the Evil and Wicked Traffic of the Slavery and Commerce of the Human Species, de Ottobah Cugoano, publicada em 1787. Apesar de partilharem muitos aspectos e parcialmente envolverem um vocabulário similar dos direitos e da liberdade naturais, trata-se aqui de um estudo inicial cuja intenção é mapear alguns aspectos primordiais que distinguem os dois textos, para além do conhecido gradualismo de Condorcet e da radicalidade de Cugoano. Partindo da consideração de um exemplo de discurso filosófico que procurava justificar a escravidão, exemplificado aqui por uma passagem de célebre obra de Voltaire, o artigo analisa aspectos dos discursos filosóficos de Condorcet e Cugoano para entrever como reagem a essa mobilização do vocabulário filosófico moderno e como seus textos articulam diferenças mais fundamentais na maneira de conceber os direitos, a liberdade e a consequente necessidade de abolição da escravidão.