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Do amor como princípio e da filosofia como salvação: pressupostos de uma espiritualidade laica

Douglas Willian Ferreira

Autor
Douglas Willian Ferreira
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
12 / 2
Ano
2015
DOI
10.31977/grirfi.v12i2.650
Páginas
327-347
Idioma
pt
2015Douglas Willian Ferreira. Do amor como princípio e da filosofia como salvação: pressupostos de uma espiritualidade laica. Griot : Revista de Filosofia, v. 12, n. 2, p. 327-347, 2015.3

Num momento em que a fé e as instituições religiosas parecem caducar temos como movimento oposto a valorização da espiritualidade, pelo menos no que tange à proposta filosófica de Luc Ferry.  Secularizando o amor cristão, o autor nos apresenta uma filosofia que é capaz de salvar o homem através do sentido que dado à vida, ou seja, não se espera ser salvos por um absoluto existente fora do mundo, mas a salvação depende unicamente do homem. Nesse sentido, à medida em que fazemos escolhas e projetos individuais, liquidamos com toda forma de pensamento determinista. Neste aspecto, cabe à espiritualidade a tarefa de despertar o homem para a necessidade de se afirmar enquanto sujeito e ao mesmo tempo sair de si mesmo, em direção ao outro, como confirmação de uma espiritualidade laica pautada na compaixão e no amor. No entanto, não se trata de uma espiritualidade sentimentalista, mas antes, uma espiritualidade em conformidade com a tradição filosófica e com a racionalidade humanista. Dessa forma, o espiritual não estará relegado ao âmbito privado, mas alcançará até mesmo as ações políticas e a vida social. Finalmente, perceberemos que essa espiritualidade laica que fundamenta as ações humanitárias e a própria relação familiar se assemelha em muitos aspectos com a proposta agápica do amor cristão.