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Teses

Do juízo teleológico como propedêutica à teologia moral em Kant

CARLOS ADRIANO FERRAZ

Tese
Autor
CARLOS ADRIANO FERRAZ
Orientador(a)
Nythamar Hilario Fernandes de Oliveira Júnior
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2003
2003CARLOS ADRIANO FERRAZ. Do juízo teleológico como propedêutica à teologia moral em Kant. 2003. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Nythamar Hilario Fernandes de Oliveira Júnior.2

Esta tese nasceu de uma reflexão acerca da terceira Crítica de Kant(Crítica da Faculdade do Juízo, 1790), especialmente de sua segunda parte (referente ao """"Juízo teleológico""""). Nesse sentido, esta tese visa investigar a função do Juízo teleológico na totalidade do sistema kantiano, tentando estabelecer a finalidade como o """"Leitfaden"""" que guia sua filosofia a um fim específico (um fim moral), nomeadamente, o reino de Deus... Dessa forma, é-nos lícito dizer que o principal argumento da presente tese jaz sobre o princípio de finalidade. Com efeito, um tal argumento assere que deve haver um desenvolvimento das faculdades humanas, um desenvolvimento que nos guia a um fim derradeiro. No ensaio """"À paz perpétua"""" (1795) Kant apresenta a prática do dever como a busca do Sumo Bem. Este ensaio, entre outros, revela a preocupação de Kant com a forma pela qual a natureza conspira, ou """"quer"""", um encaminhamento em direção a um estado em paz perpétua, ou, mais precisamente, em direção a um estado que nos fará dignos de esperar por um outro estado (reino de Deus). Portanto, a possibilidade de uma paz perpétua é compreendida unicamente através do conceito de finalidade oriundo da terceira Kritik... De qualquer forma, uma paz pública (legal) deve ser estabelecida contra as inclinações hostis em um processo racional, o qual institui leis que salvaguardam as condições básicas para a paz. Apenas em uma tal espécie de estado somos moralmente dignos de esperar pelo que Kant denomina de Sumo Bem, o qual tem, por sua vez, dois componentes: Virtude perfeita e felicidade proporcional à virtude. .. Desta feita, a busca pela virtude sempre começa em um estado de imperfeição moral. Assim, a busca do homem por um tal fim deve consistir em um progresso sem fim de um estado imperfeito para um estado melhor. Esta busca dá ao homem uma espécie de base prática para uma fé em uma vida eterna (após a presente) e em um Deus. Logo, esta obrigação moral (de progredir do mal para o melhor) leva o homem à religião, uma vez que apenas nesta ele pode encontrar seu fim derradeiro: O Sumo Bem. A fé religiosa está, portanto, fundada sobre a moralidade.