DO TUDO E DO TODO OU DE UMA NOTA DE RODAPE DO PARÁGRAFO 48 DE SER E TEMPO (UMA DISCUSSAO COM HEIDEGGER E OS GREGOS).
CLAUDIO OLIVEIRA DA SILVA
- Autor
- CLAUDIO OLIVEIRA DA SILVA
- Orientador(a)
- CARMEM LUCIA MAGALHAES PAES
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2000
A questão da tese repete-se, nos capítulos, como a questão de um todo, o tudo, que se instaura por um corte. Ao contrário de uma totalidade marcada pelas idéias de completude, acabamento e perfeição, de uma totalidade constituída de partes compostas ou somadas, a totalidade do Dasein apresenta a característica de um todo eu se abre por uma cisão: o Dasein como elemento se instaura pelo logos, o Dasein como poder se instaura pelo ato, o Dasein como possível se instaura pelo impossível, o Dasein como possível poder-ser-todo próprio se instaura pela decisão antecipadora do ser para a morte. Em todos os casos, trata-se de uma totalidade aberta, o que quer dizer, rasgada, cindida, que a cada vez se fecha, se limita e se determina por um fim e um limite em que o possível é desde o impossível, a vida é desde a morte , o elemento é desde o logos, o poder é desde o ato. Com o limite do impossível, com a separação do logos, com a visão do ato, com a decisão do ser para a morte, advém a totalidade que não é completa, acabada, perfeita mas indeterminada, possível, própria. Indeterminação, possibilidade e propriedade são os sentidos primordiais da palavra grega pan: tudo, o que a torna a palavra mais adequada para descrever a totalidade própria, a totalidade possível, a totalidade indeterminada, a totalidade aberta do Dasein.
