- Autor
- Edmilson Menezes
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p168-183
- Páginas
- 168-183
- Idioma
- pt
O homem histórico afastou-se da sua verdadeira natureza, e esse distanciamento é decisivo para a formação de um novo estado, no qual, ao recorrer à artificialidade, ele passa a uma convivência civil organizada e protegida, mas, sincronicamente, encontra o fracasso e a dor. O que se perde nesse movimento é, entre outros elementos, a preservação de certo vigor associado à simplicidade característica da ausência de artefatos sociais impostos à convivência comum. A partir desse prisma, Rousseau propõe uma vigorosa reflexão sobre a persistente patologia que acomete a sociedade: a constatação de que os homens estão doentes após se defrontarem com o ambiente das relações civis. A doença como expressão social manifesta as fragilidades inerentes ao elo artificial entre o indivíduo e a comunidade, resultando na exteriorização da consciência, na dependência da imagem e na perda do vínculo direto consigo. Isso acaba sendo substituído por uma relação mediada pelas convenções coletivas. Nessa direção, o objetivo deste artigo é apresentar o nexo entre sociedade e patologia em Rousseau, de modo a ressaltar a ideia segundo a qual o homem civil é, em grande medida, o resultado do artifício.
