- Autor
- Gabriel de Matos Garcia
- Revista
- Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
- Edição
- 32 / 69
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.21680/1983-2109.2025v32n69ID38643
- Idioma
- pt
Meu objetivo neste artigo é sustentar que a obra Uma teoria da justiça, publicada em 1971 por John Rawls, possui duas leituras possíveis no que diz respeito à justificação dos seus dois princípios de justiça. A primeira, uma leitura formal, atribui um papel central ao dispositivo da posição original e sustenta que nessa situação de escolha, partes racionalmente interessadas escolheriam os dois princípios de justiça. Considero que essa leitura possui dois problemas: (1) é incapaz de justificar o princípio de diferença; e (2) possui o custo normativo de reduzir questões morais a questões de racionalidade. Posteriormente, demonstro que há a possibilidade de construção de uma segunda leitura, a qual podemos denominar informal, que apela diretamente para a ideia de acordo moral razoável entre os cidadãos, evitando, assim, os problemas derivados do argumento centrado na posição original.
