- Autor
- Deborah Moreira Guimarães
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 17 / 33
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2026v17n33p48-70
- Páginas
- 48-70
- Idioma
- pt
Trata-se de investigar a relação entre τέχνη, ἀλήθεια e ποίησις na filosofia de Heidegger, tomando como eixo interpretativo central o ensaio A origem da obra de arte. Partindo da crítica heideggeriana à metafísica da subjetividade e à concepção tradicional da verdade como adequação, busca-se evidenciar a compreensão da arte como acontecimento originário de desvelamento. A verdade é pensada como ἀλήθεια, como não-encobrimento, e a obra de arte como o lugar privilegiado em que a abertura se realiza historicamente. Heidegger realiza uma ontologia da obra de arte focada na relação entre arte e técnica, bem como nos exemplos paradigmáticos dos sapatos de Van Gogh e do templo grego. A obra não representa um mundo previamente dado, mas instaura uma clareira de sentido na qual mundo e terra entram em contenda produtiva. Evidencia-se, também, o caso de A fonte, de Marcel Duchamp, compreendida como arte do deslocamento capaz de desestabilizar as redes remissivas sedimentadas do cotidiano. Conclui-se que a τέχνη, em sua acepção originária, pertence ao movimento da ποίησις e constitui um acontecimento histórico da verdade, preservando a possibilidade de novos modos de manifestação do ser em época marcada pelo predomínio da racionalidade técnica.
