Eclipse da Moralidade: exercício de leitura sobre as relações entre Hegel e um caso de irreconciliação extorquida
SILVIO ROSA FILHO
- Autor
- SILVIO ROSA FILHO
- Orientador(a)
- PAULO EDUARDO ARANTES
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2002
Este trabalho trata de discernir e compreender as relações entre a prosa crítica de Hegel e a crise do discurso moral, na época em que a primeira atinge sua maturidade e o segundo entra em seu declínio. Ao examinar as condições de inteligibilidade da transição ao novo tempo, no que concerne tanto ao processo histórico-social quanto ao desenvolvimento da forma conceitual, procura circunscrever os campos de pertinência entre uma autoconstituição moderna da subjetividade e o núcleo presente da realidade efetiva, assim como o nascimento da individualidade hiperbólica e os primeiros traços da regressividade de que ela é expressão...Mediante a releitura da pauta das cisões inscritas na ordem do dia, os problemas que elas suscitam para a elaboração da unidade teórica hegeliana põem em relevo os principais pontos de crise que saturam o registro representativo do discurso moral: o formalismo se vê redimensionado no solo específico de onde germinam as interversões da liberdade em arbítrio ultramoderno, a inefetividade torna o irreconciliado um caso privilegiado de extorsão, ao passo que a contradição de última instância entre puro dever e ação efetiva é suscetível de indefinida estilização que a transfigura ou de automanifestação que exige superação...Porque Hegel soube sondar as potencialidades mais próximas da moralidade interversa - além de outras, mais remotas -, porque chegou conferir a forma que era requerida por esses materiais abstratos, o pensamento hegeliano não se limita a constatar a gestação interrompida da mudança no interior do processo cumulativo dos tempos moderos, mas concebe - como experiência - o desbloqueio do novo.
