Ecos de razão e recusa. Uma filosofia da revolta de homens em tempos sombrios
GEORGIA CRISTINA AMITRANO
- Autor
- GEORGIA CRISTINA AMITRANO
- Orientador(a)
- GUILHERME CASTELO BRANCO
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2007
A presente tese aponta para o sentido da política e sua intrínseca relação com a condição humana, assinalando o fato de que, diante da minimização premente da conditio humanæ, os conceitos filosóficos tradicionais não se sustentam para esclarecer o que seja o mundo e tampouco o homem que nele se encontra. Esse estudo se desenvolve a partir da análise do pensamento de Hannah Arendt e de Albert Camus, fazendo destes pensadores suporte para mostrar que alguns eventos operam determinada ruptura em relação aos eventos históricos que os constituíram, mantendo a tensão dos diferentes paradigmas filosóficos. Nesse sentido, a tese é construída em duas partes distintas, a saber: uma primeira, na qual se busca esclarecer alguns dos conceitos mais importantes de Arendt e Camus, bem como apresentar algumas considerações engendradas de seu solo comum; e uma segunda parte, a qual visa ampliar o olhar acerca das análises engendradas por parte de Camus e Arendt, abandonando a especificidade desses pensadores e trazendo o problema por eles analisado para sua universalidade. A tese, portanto, estrutura-se no intuito de pontuar o fato de que, conquanto o problema filosófico apresentado por Arendt e por Camus possua, por um lado, sua circunstancialidade histórica, por outro, ele não se circunscreve a este recorte temporal. Os elos que unem o pensamento camusiano ao arendtiano ultrapassam, assim, as fronteiras de suas respectivas filosofias, e se estendem ao cenário do debate contemporâneo. Neste espírito, a tese não possui uma conclusão formal, mas, isto sim, abre-se para certas considerações, destacando dois caminhos possíveis. Realiza-se, assim, um diálogo com outros pensadores, no intuito de assinalar uma continuidade, a qual vislumbra o caráter universal do problema. Do mesmo modo, aponta-se para a revolta estética, pressupondo que a expressão artística apareça como uma estrutura capaz de desempenhar uma determinada função criadora, possibilitando, assim, em sua ação, um vínculo intrínseco ao êthos. Percebe-se, portanto, que uma questão filosófica escapa de sua condicionalidade histórica, não se encerrando ou esgotando em uma única análise. À vista disso, o problema da minimização da conditio humanæ na contemporaneidade não se fecha na análise do nazismo e do stalinismo, mas antes, se mantém como marca característica desses nossos tempos sombrios.
