EDUCAÇÃO, TOLERÂNCIA E AUTONOMIA: ROUSSEAU E O PROBLEMA DO ENSINO RELIGIOSO INFANTIL NO EMÍLIO
Joézer Carvalho de Castro
- Autor
- Joézer Carvalho de Castro
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 3
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p110-123
- Páginas
- 110-123
- Idioma
- pt
O objetivo deste artigo é analisar dois elementos que costumam ser negligenciados quando a Profissão de fé do vigário saboiano é lida fora do contexto do Emílio e do modelo educacional defendido por Rousseau. O primeiro é a crítica ao ensino religioso infantil. Como veremos, esta crítica se articula a partir de duas linhas argumentativas. Na primeira, Rousseau argumenta a partir da ordem natural do desenvolvimento das faculdades humanas. Na segunda, o autor faz uma crítica teológica à ideia de que é necessário acreditar em Deus para ser salvo. Em ambos os casos, trata-se de demonstrar que as crianças não têm capacidade racional para compreender noções abstratas e metafísicas da teologia. Com isso, o objetivo é demonstrar que dois elementos perpassam a proposta de Rousseau como um todo: a defesa da autonomia e da liberdade de pensamento e a crítica à intolerância, elementos estes que também conectam o genebrino ao projeto Iluminista como um todo.
