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EICHMANN SABIA, MAS NÃO COMPREENDIA: a neutralização do mal pelo banal

Martine Leibovici, CARLOS FERNANDO SILVA BRITO, Alexandrina Paiva da Rocha

Autor
Martine Leibovici, CARLOS FERNANDO SILVA BRITO, Alexandrina Paiva da Rocha
Revista
Cadernos Arendt
Edição
03 / 10
Ano
2025
Páginas
15-27
Idioma
pt
2025Martine Leibovici, CARLOS FERNANDO SILVA BRITO, Alexandrina Paiva da Rocha. EICHMANN SABIA, MAS NÃO COMPREENDIA: a neutralização do mal pelo banal. Cadernos Arendt, v. 03, n. 10, p. 15-27, 2025.3

Não há uma teoria constituída sobre a banalidade do mal em Eichmann em Jerusalém. Essa expressão oximórica, que não aparece mais do que duas vezes, ao final do livro e no pós-escrito, permite a Hannah Arendt coligir um “fenômeno que saltava aos olhos” (EJ, p. 1295), as diferentes formas de banalidade que lhe apareceram durante sua confrontação com Eichmann ao longo de seu julgamento. O traço proeminente desse fenômeno era uma “incapacidade de pensar” (EJ, p. 1065). Será que isso significa que ele é mal por não pensar? É sobre isso que Eichmann é culpável aos olhos de Arendt? O próprio Eichmann também não manifestou capacidades de argumentação, ele também não apareceu como malicioso, astuto, inteligente para aqueles que assistiram até o final do julgamento? E em sua atividade de grande organizador do genocídio, ele também não mobilizou as capacidades racionais?