Encarando a atrocidade: a vergonha e sua ausência
Willian Martini, Tiago Azambuja, Janyne Sattler
- Autor
- Willian Martini, Tiago Azambuja, Janyne Sattler
- Revista
- Revista de Filosofia Aurora
- Edição
- 28 / 44
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.7213/aurora.28.044.TD01
- Páginas
- 689-716
- Idioma
- pt
Neste artigo, concentro-me sobre quatro variedades possíveis de ausência da vergonha. Minha esperança é a de que a reflexão sobre essas variedades possa, de alguma maneira, nos dar uma imagem mais completa acerca do papel que a vergonha desempenha sobre nosso caráter moral e nas discussões a respeito da atrocidade. Observo que a vergonha que emerge de uma exposição à atrocidade pode em parte constituir aquilo que nos leva a identificar oevento como atroz. Prossigo então argumentando que quando a vergonha está ausente, esta ausência pode servir para nos cegar para a atrocidade que está à nossa frente, e que é nossa tarefa tentar evitar. Sentir vergonha faz parte de ver a atrocidade pelo que ela é de uma maneira apropriada emocionalmente engajada. Ela é, portanto, uma parte vital de ser humano, e sua ausência em certos casos é uma insuficiência demasiadamente humana de humanidade.
