Voltar para Teses
Teses

Enfrentando o inimigo com as suas próprias armas: a presença e a importância das Escrituras na argumentação de Thomas Hobbes.

Isaar Soares de Carvalho

Tese
Autor
Isaar Soares de Carvalho
Orientador(a)
JOÃO CARLOS KFOURI QUARTIM DE MORAES
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012Isaar Soares de Carvalho. Enfrentando o inimigo com as suas próprias armas: a presença e a importância das Escrituras na argumentação de Thomas Hobbes.. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): JOÃO CARLOS KFOURI QUARTIM DE MORAES.2

O objetivo desta pesquisa é examinar a interpretação das Escrituras feita por Hobbes e sua importância para a corroboração de sua tese do caráter absoluto do poder civil, especialmente sobre a Igreja. Ele escreveu num contexto em que era necessário abordar a soberania civil em relação ao poder eclesiástico e onde o cidadão precisava discernir se a Lei Civil se opunha ou não à vontade de Deus. Assim, ele trata tanto da natureza do comando e da sujeição quanto da essência da Religião Cristã, para demonstrar que os assuntos civis são resolvidos pela razão natural, não tendo o Evangelho outra finalidade senão o da Regeneração do homem e não cabendo à Igreja qualquer interferência no reino civil. Para convencer ao leitor de seu contexto e à Igreja, Hobbes adota uma nova hermenêutica das Escrituras. Nosso objetivo é examinar tal hermenêutica, adotada para defender a natureza absoluta da soberania e para sustentar sua crítica das intervenções da Igreja no poder civil, feitas aparentemente em nome de Deus, com claras pretensões de domínio, opondo-se a Igreja ao próprio ensino de Cristo de que o seu reino não é deste mundo. Enquanto a Igreja afirmava ser a guardiã do Cânon e da interpretação das Escrituras, Hobbes as lerá tanto para mostrar a natureza absoluta da soberania quanto a teoria do consentimento, bem como para afirmar a sujeição de qualquer instituição ao soberano civil, de quem a própria Igreja recebe seu reconhecimento, não podendo, portanto, sobrepor-se ao soberano, cuja autoridade é reconhecida pela própria Escritura. Assim, examinamos como esses conceitos são construídos e usados face à hermenêutica da Igreja, observando também como Hobbes se vale da Retórica para convencer seus leitores e para criticar a filosofia escolástica, às vezes com sarcasmo, e procruando resgatar, na leitura que fazemos de sua teoria da soberania, a importância de seu enfrentamento do poder eclesiástico, o que ele fez com o recurso à Bíblia, e isso no século em que esta era, na Inglaterra, conforme Christopher Hill, """"o livro por excelência"""".