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ENQUADRAMENTO E VIOLÊNCIA: A redução política da vida

Thiago Teixeira

Autor
Thiago Teixeira
Revista
Sapere Aude
Edição
15 / 29
Ano
2024
DOI
10.5752/P.2177-6342.2024v15n29p481-493
Páginas
481-493
Idioma
pt
2024Thiago Teixeira. ENQUADRAMENTO E VIOLÊNCIA: A redução política da vida. Sapere Aude, v. 15, n. 29, p. 481-493, 2024.4

As reflexões sobre o reconhecimento, de fato, promovem encontros éticos? Quais são as possibilidades de reconhecimento que se instalam no instante em que as normas impõem limites para a própria vida? Quais são as vidas que são passíveis de luto? A partir das teses de Judith Butler compreendemos, num esforço disruptivo, que a mera aparição do outro, sobretudo mediada por enunciações ideológicas que ampliam a precarização e a violência sobre essa vida anunciada como desprezível, não configura reconhecimento. Neste artigo discutimos a importância de recalibrar nossas perspectivas sobre o reconhecimento, tão confundido — em nome da perpetuação de sistemas de enquadramento restritivo e apequenamento dos corpos posicionados como vidas violáveis – com a apreensão, isto é, uma experiência de relação que compreende o outro às margens da humanidade, ao largo dos enquadramentos que designam quais vidas são legítimas e enlutáveis. Trata-se de uma análise ético-política que verifica as condições de reconhecimento à distância da fabricação espectral do outro que enviesa e justifica processos técnicos e sofisticados que se sustentam na potencialização da violência direcionada às vidas preanunciadas como massacráveis.