- Autor
- Bianca Vilhena C. Pereira
- Revista
- Revista Enunciação
- Edição
- 11 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.61378/v4vr3d50
- Páginas
- 74-95
- Idioma
- pt-BR
Neste artigo, propõe-se examinar o sonho narrado por Sócrates a Críton, no diálogo homônimo, quando este o visita no cárcere de Atenas, às vésperas de sua morte, com o intuito de persuadi-lo da fuga. No relato onírico, Sócrates afirma ver aproximar-se uma mulher bela, vestida de branco, que o chama e cita um verso pronunciado por Aquiles na Ilíada. Considerando que o herói de Platão era atento aos sinais divinos e costumava interpretar seus próprios sonhos, busca-se acompanhá-lo na análise da mensagem onírica, cuja interpretação se mostra ambígua e exige, ademais, a contextualização do verso homérico. A hipótese investigada é a de que o sonho de Sócrates, em analogia ao destino dúplice de Aquiles, constitui simultaneamente uma revelação profética e a expressão de um dilema entre a fuga e a aceitação da morte. Paralelamente, observa-se a influência sobre Platão das formas de descrição e concepção dos sonhos presentes na literatura que o precede, bem como a sua própria reelaboração filosófica.
