- Autor
- Deise Abreu Pacheco
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 3
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.52521/poly.v18i3.16356
- Páginas
- e25047
- Idioma
- pt
Como praticar uma escrita da liberdade? Não uma escrita sobre a liberdade, mas uma escrita da liberdade. Fundamentado em pesquisa de pós-doutorado em andamento na Universidade Federal de São Paulo, o presente artigo pretende abordar essa questão, adotando por eixo teórico-crítico aspectos das obras O Conceito de Angústia, do autor dinamarquês Søren Kierkegaard e O Preço do Sal, da autora estadunidense Patricia Highsmith, ambas assinadas por autores-pseudônimos, Vigilius Haufniensis e Claire Morgan, respectivamente. A partir da obra de Kierkegaard, a noção de liberdade será dialeticamente articulada com o fenômeno da angústia e examinada no contexto histórico e literário do romance de Highsmith, ambientado nos Estados Unidos dos anos 1950, década marcada por forte repressão moral e política. Sob este enfoque, ao pensarmos com Kierkegaard e com Highsmith – ela própria leitora do autor dinamarquês – esperamos apontar para duas perspectivas centrais: as implicações do recurso à persona na obra de ambos os autores à luz do conceito de ficcionalidade do autor; e a dimensão artística desse recurso, com base em uma abordagem literária da comunicação, levando em conta as interfaces entre autoria, produção e recepção.
