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Entre Mbembe e Vergès: demolir o museu como necessidade decolonial

João Vítor Alcântara Jorge

Autor
João Vítor Alcântara Jorge
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
25 / 3
Ano
2025
DOI
10.31977/grirfi.v25i3.5363
Páginas
13-28
Idioma
pt
2025João Vítor Alcântara Jorge. Entre Mbembe e Vergès: demolir o museu como necessidade decolonial. Griot : Revista de Filosofia, v. 25, n. 3, p. 13-28, 2025.4

Este ensaio propõe uma crítica radical ao museu enquanto instituição simbólica da colonialidade moderna, evidenciando sua função histórica como vitrine do saque, da racialização e do apagamento de memórias e modos de vida. Longe de constituir um espaço neutro ou de preservação imparcial do passado, o museu universal é analisado como um dispositivo central na legitimação da dominação colonial, articulado às dinâmicas do capitalismo racial e ao pacto narcísico da branquitude. A partir das contribuições teóricas de Françoise Vergès e Achille Mbembe — em articulação com autores como Fanon, Césaire, Cida Bento e Nêgo Bispo —, o texto examina os mecanismos de expropriação simbólica e material que sustentam o poder museológico. Analisa-se, também, o modo como a apropriação e a exibição de expressões coletivas dos povos subalternizados operam o silenciamento de suas histórias e cosmologias. O artigo explora, ainda, as proposições do antimuseu e do pós-museu como horizontes ético-políticos de ruptura com essa lógica, propondo a desordem absoluta como condição para reimaginar a memória, a justiça e a própria estrutura do sensível. Restituir, nesse contexto, não significa apenas devolver objetos, mas reconstruir mundos e romper com as fundações coloniais que sustentam as formas hegemônicas de ver, narrar e organizar a vida.