ENTRE O UNO E O MÚLTIPLO: APROXIMAÇÕES E DISTINÇÕES ENTRE A TEORIA DOS ARQUÉTIPOS DE JUNG E A TEORIA DAS FORMAS DE PLATÃO
Thiago Barbosa Soares
- Autor
- Thiago Barbosa Soares
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 40
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36517/2026n40id97650
- Páginas
- 32-48
- Idioma
- pt
Este artigo investiga as relações filosóficas entre a teoria dos arquétipos de Carl Gustav Jung e a teoria das Formas (ou Ideias) de Platão. Partindo da constatação de que ambos os pensadores postulam estruturas universais e transcendentais que fundamentam a experiência humana, o estudo analisa as aproximações estruturais, universalidade, caráter a priori, distinção entre realidade-em-si e manifestação empírica, função ordenadora e normativa, necessidade de um processo transformador para o acesso, bem como as diferenças ontológicas e metodológicas fundamentais. Enquanto Platão concebe as Formas como entidades metafísicas independentes, eternas e inteligíveis, Jung concebe os arquétipos como fatores psicológicos inatos, herdados filogeneticamente, localizados no inconsciente coletivo e acessíveis apenas por meio de suas manifestações empíricas (imagens arquetípicas). A pesquisa demonstra que a “psicologização” das ideias platônicas por Jung não implica reducionismo, mas antes um diálogo fecundo entre psicologia profunda, filosofia e semiótica. As conclusões apontam que a teoria junguiana pode ser legitimamente interpretada como uma atualização psicológica e empírica da teoria das Formas, fornecendo fundamentos para a semiótica arquetípica e para a análise interdisciplinar das narrativas e imagens do imaginário humano.
