EPISTEMOLOGIA DO RECONHECIMENTO : INVISIBILIDADE E CEGUEIRA ENTRE RACISMO E BRANQUITUDE
Danniel Leão de Oliveira, Carlos César Barros
- Autor
- Danniel Leão de Oliveira, Carlos César Barros
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 49
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i49.10400
- Páginas
- 259-275
- Idioma
- pt
Este trabalho aborda a relação entre um par que compõe o racismo: a invisibilidade das pessoas negras e a cegueira da branquitude. Um caminho possível para a superação do racismo é o que aqui denominamos “epistemologia do reconhecimento”. Com ela buscamos compreender os processos que possibilitam o reconhecimento do outro e de si mesmo como ser humano, tal como a denegação desse reconhecimento como efeito do racismo. Trata-se de uma revisão bibliográfica que toma como referencial teórico um diálogo entre as teorias do reconhecimento, de base hegeliana, de Frantz Fanon e Axel Honneth. Abordamos a distinção entre as perspectivas do observador e do participante; a tese de que o reconhecimento precede o conhecimento na gênese das relações humanas; a relação entre racismo, invisibilidade e cegueira; a alteração da lógica do primado do reconhecimento induzida pelo racismo. Nossos resultados passam pelos processos afetivos da infância, base da precedência do reconhecimento sobre o conhecimento, que é desafiada pela reificação racista que leva ao esquecimento do reconhecimento. O diálogo profícuo entre os pensamentos de Honneth e Fanon revela uma compreensão da interdição racista ao reconhecimento, mas também suas contradições e possibilidades em contexto complexo de reconhecimento fronteiriço.
