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Epistemologia feminista e a reconfiguração da filosofia moral

Tânia Kuhnen

Autor
Tânia Kuhnen
Revista
Sapere Aude
Edição
5 / 9
Ano
2014
Páginas
196-219
Idioma
pt
2014Tânia Kuhnen. Epistemologia feminista e a reconfiguração da filosofia moral. Sapere Aude, v. 5, n. 9, p. 196-219, 2014.1

O presente trabalho parte da análise crítica feminista à concepção de desenvolvimento moral de Lawrence Kohlberg, que busca justificar a validade universal das teorias morais tradicionais principialistas. Por ser uma visão parcial de desenvolvimento, uma vez que exclui as mulheres das pesquisas e a visão que oferecem de problemas morais, uma teoria ética pautada nesse modelo está vinculada a uma falsa universalidade proposta por um grupo dominante. Busca-se, então, a partir do modelo de desenvolvimento moral amplo de Carol Gilligan e sua sugestão da complementaridade entre as diferentes perspectivas morais por ela identificadas, defender a complementaridade entre a ética do cuidado e a ética de princípios e direitos. A proposta feminista da ética do cuidado representa, assim, uma crítica epistemológica a um modo de fazer ética, pautado em uma forma específica e restritiva de abordar problemas morais. É possível, então, reconhecer uma nova forma de universalismo moral – uma forma mais completa de teorizar sobre a moralidade – a partir da noção de complementaridade entre as vozes morais.This paper presents a feminist critique of Lawrence Kohlberg’s concept of moral development, which aims to justify the universal validity of traditional moral theories based on principles. Because it is a partial view of development, once it excludes women and their perspectives about moral problems from research, an ethical theory based on this standard implies a false universality related to a dominant group in society. Considering then the comprehensive view about moral development proposed by Carol Gilligan and her suggestion of complementarity between the two different moral orientations identified by her, we try to defend the complementarity between an ethics of care and an ethics of principles and rights. The feminist ethics of care represents, thus, an epistemological critique of a way of doing ethics, based on a specific and restrictive way of approaching moral problems. It is therefore possible to recognize a new form of moral universalism – a more complete form of theorizing about morality – in the notion of complementarity between moral voices.