- Autor
- Jorge Cantos
- Orientador(a)
- João Carlos Kfouri Quartim de Moraes
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
O objeto desta tese de doutorado sobre Erasmo de Roterdã e a Pedagogia da Sátira é analisado aqui como uma problemática da teoria pedagógica e da história da filosofia. O período abrange o final do século XV e os primeiros decênios do século XVI, os quais correspondem à época do humanismo renascentista que cria as bases do pensamento moderno. A investigação consiste, a partir das intenções e justificativas que Erasmo apresenta em seu epistolário, no tratamento analítico de sua sátira, a qual se insere no discurso metafórico, com o intuito de evidenciar o seu alcance pedagógico. Ou seja, a sátira é como um jogo, como um faz-de-conta, capaz de, mostrando jocosa e construtivamente as verdades, cumprir um papel pedagógico transformador. Delimitada ao primeiro tomo do Epistolário de Erasmo, que abrange os anos de 1484 a 1514, e 1523, lido e traduzido diretamente do latim, esta pesquisa tem por objetivo comprovar que a sátira, para ele, necessariamente vinculada a sua proposta educacional, consiste em um método tão privilegiado de educação a ponto de se poder pensá-la como pedagogia. Para isso, indo às fontes e adotando o método demonstrativo, são utilizadas nesta pesquisa exploratória determinadas categorias de análise, paradigmáticas (correção, natureza, desapego, humildade, verdade, sinceridade, adaptação, letras humanas, letras divinas, virtude, piedade, proposta educacional, método, amizade, sodalício, utilidade e moral), lingüísticas (provérbios, diálogo, ironia, elogio, comédia, apologia, diatribe e libelo) e pedagógicas (paciência, moderação, liberdade, mordacidade, riso, construção e pedagogia). O resultado é a constatação de que no primeiro tomo de seu epistolário ele, sistematicamente, reafirma intenções, argumentações, definições, idéias, expressões de absoluta valorização da linguagem figurada, particularmente da sátira. Isso autoriza o pesquisador a pensar a sátira de Erasmo, e por extensão a do Renascimento, como a proposta de uma nova e necessária pedagogia, a pedagogia da sátira, que supera a antiga pedagogia do castigo e do medo pela pedagogia do incentivo e da liberdade.
