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Estamos pensando algoritmicamente? Inteligência artificial e episteme ocidental como dois lados de um mesmo pensamento calculador

Eli Borges Júnior

Autor
Eli Borges Júnior
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
48
Ano
2026
DOI
10.1590/0101-3173.2025.v48.n6.e025181
Páginas
e025181
Idioma
pt
2026Eli Borges Júnior. Estamos pensando algoritmicamente? Inteligência artificial e episteme ocidental como dois lados de um mesmo pensamento calculador. Trans/Form/Ação, v. 48, p. e025181, 2026.4

Modelos de inteligência artificial (IA) têm demonstrado uma crescente capacidade de gerar resultados que se aproximam do pensamento humano, o que nos leva a revisitar a já clássica questão de Alan Turing: "As máquinas podem pensar?". Este artigo investiga as correspondências entre o funcionamento dos modelos de IA e as concepções de conhecimento consideradas válidas pela episteme ocidental, as quais estariam enraizadas no que Martin Heidegger chamaria de “pensamento calculador”. Emerge aí uma provocação que, em certa medida, procura inverter a pergunta do matemático inglês: em vez de sugerir que os modelos de IA estariam se aproximando dos modos de pensar humanos, não seríamos nós que, desde a primazia da razão, na filosofia grega antiga, teríamos moldado nossas formas de pensar, no Ocidente, de maneira análoga ao modo de operação dos algoritmos de IA? A contrapelo desse privilégio do cálculo, Heidegger apresenta-nos, então, à alternativa do "pensamento meditativo", caracterizado pela abertura ao enigmático, ao imprevisível e ao não calculável. Submissão: 18/8/2025 – Decisão: 30/9/2025 – Revisão: 06/10/2025 – Publicação: 25/10/2025