ESTÉTICA E HERMENÊUTICA: A ARTE COMO DECLARAÇÃO DE VERDADE EM GADAMER
ALMIR FERREIRA DA SILVA JUNIOR
- Autor
- ALMIR FERREIRA DA SILVA JUNIOR
- Orientador(a)
- BENTO PRADO DE ALMEIDA FERRAZ JUNIOR
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
A pesquisa tem como objetivo investigar o que justifica o caráter paradigmático da análise sobre a questão da verdade da arte para a elaboração da hermenêutica filosófica de Hans G. Gadamer na obra Verdade e método. A relação estética e hermenêutica além de submeter o fenômeno estético a uma análise interpretativa, possibilita para a estética a recuperação do fenômeno da arte como experiência de verdade. A autonomia da reflexão sobre o domínio da estética e,especificamente, sobre o fenômeno da arte é garantida pelo propósito de uma análise crítica sobre o procedimento metodológico da ciências naturais. Para Gadamer a pretensão exclusiva de demonstração de verdade baseada na verificabilidade de certezas é insuficiente para as ciências humanas. Examina-se a análise ontológico-hermenêutico sobre a arte como condição de recuperá-la e reivindicá-la enquanto experiência de verdade. Analisa-se o caráter de subjetivação da estética, a partir da filosofia de Kant, como requisito fundamental para a retomada da questão da verdade a partir da arte.A tarefa hermenêutica da crítica à noção da consciência estética constitui-se a abertura originária para se repensar a questão da verdade e sua relação com a arte. O que possibilita uma reflexão hermenêutica sobre a arte é sua análise ontológica tendo em vista a nova dimensão do compreender, segundo Heidegger, e o conceito de experiência a partir da dialética de Hegel. A experiência hermenêutica da arte é pensada como experiência ontológica de finitude, a partir das categorias de jogo, símbolo e festa que, por sua vez, revelam o seu modo de ser. Identifica-se na estrutura da obra Verdade método um itercâmbio entre os três domínios da experiência analisados: a arte, a história e a linguagem, o que possibilita à experiência da arte ser pensada a partir do princípio a história dos efeitos (Wikungsgeschichte) e como determinação do fenômeno universal da lingüisticidade Sprachlichkeit). Ressalta-se como elemento de análise o caráter declarativo da arte tendo em vista o seu caráter histórico-temporal e interpretativo. A análise sobre a questão da verdade (aletheia) é articulada à explicitação ontológico sobre o caráter universal da linguagem (Sprach) e a crítica à pretensão de certeza apofântica da ciência. A partir do significado da arte como declaração(Aussage) examina-se a questão da atualidade da arte tendo como parâmetro um diálogo entre Gadamer e Hegel considerando a tese do caráter passado da arte(Vergangenheitslehre)
