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Ética, ciência e educação na perspectiva anarquista

Sílvio Gallo

Autor
Sílvio Gallo
Revista
Educação e Filosofia
Edição
9 / 18
Ano
2008
DOI
10.14393/REVEDFIL.v9n18a1995-996
Páginas
7-29
Idioma
pt
2008Sílvio Gallo. Ética, ciência e educação na perspectiva anarquista. Educação e Filosofia, v. 9, n. 18, p. 7-29, 2008.2

As relações entre Ética, Ciência e Educação são complexas e abrangentes. Podemos toma-las pelo viés Ciência e Educação, no âmbito epistemológico; pelo viés Ética e Educação, no âmbito da construção e socialização dos valores ou, ainda, pelo viés de buscar as questões éticas que permeiem uma ação educativa que tenha como um dos meios a Ciência. Em todos estes vieses podemos encontrar uma importante e fecunda inspiração na produção de filósofos, educadores e militantes anarquistas acerca da educação. Tomando os ditos “clássicos” do Anarquismo, isto é, a produção filosófico-política que fundamentou amplas parcelas do movimento operário europeu da segunda metade do século dezenove até as três primeiras décadas do século vinte, tendo com centro as figuras de Pierre-Joseph Proudhon e Mikhail Bakunin, encontraremos uma preocupação central com o problema da educação. Tal preocupação culminaria com a construção de uma teoria educacional anarquista, diluída na obra destes e de outros filósofos do movimento e na constituição de uma Pedagogia Libertária, consolidada nas experiências práticas de Paul Robin em fins do  século dezenove, quando ocupou por mais de uma década a direção do Orfanato Prévost em Cempuis e, no início do século vinte, de Sébastien Faure com a comunidade-escola de La Ruche e do catalão Francesc Ferrer i Guàrdia com sua Escuela Moderna de Barcelona. No âmbito desta teoria anarquista da educação, as relações entre Ética, Ciência e Educação aparecem com toda a sua intensidade. Procurarei apresenta-las aqui, referenciado nos autores já citados, filósofos e/ou educadores, moído tanto pelo interesse do resgate histórico quanto pela possibilidade de tomá-las como contribuição para nossos debates contemporâneos sobe a questão, colaborando com sua fundamentação. Darei ênfase a dois aspectos, que parecem-me centrais: primeiro, o problema ético-político da educação como socializadora dos conhecimentos científicos e, depois, o problema, muito caro aos anarquistas, da possibilidade de uma educação moral que formasse socialmente os indivíduos. [...] Palavras-chave: Anarquismo; Educação; Ética; Ciência; Política.