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Ética como metafísica da alteridade em Levinas

José Tadeu Batista de Souza

Tese
Autor
José Tadeu Batista de Souza
Orientador(a)
Ricardo Timm de Souza
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2007
2007José Tadeu Batista de Souza. Ética como metafísica da alteridade em Levinas. 2007. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): Ricardo Timm de Souza.2

A partir da constatação de que a compreensão de metafísica, que emergiu com.os pré-socráticos e se efetivou no desenvolvimento histórico do pensamento ocidental teve.como preocupação fundamental constituir um saber sobre o ser, procuramos, na nossa tese,.afirmar a possibilidade da ética como metafísica da alteridade. Na contemporaneidade,.Husserl se preocupa em incluir a alteridade na constituição do sentido da objetividade. Na.sua tentativa de constituir o sentido do outro, emerge um nós constituinte. A.intencionalidade egológica e solitária transforma-se em intencionalidade intersubjetiva..Heidegger fez uma crítica veemente à metafísica, acusando-a de ter esquecido de.considerar o ser como a questão mais fundamental. Enunciou que a possibilidade do pensar.ético seria viável à medida que se tornasse o agir na procura da verdade do ser, que.garantiria ao homem, na sua existência, realizar sua essência. Levinas percebe que a.prioridade do pensamento na procura de estabelecer a verdade como o ser resultou na.configuração de uma ontologia, uma gnosiologia e uma forma de racionalidade, que se.identificaram com os próprios temas investigados, a coerência das relações lógicas e as.formas objetivas abstratas. Esse modelo de pensamento não ignorou a dimensão.antropológica, mas, na obsessão pela síntese e pela objetividade, terminou nivelando as.coisas e a interioridade subjetiva das pessoas, igualando e diluindo suas particularidades.numa generalização neutra e abstrata. O humano tornou-se um ente entre outros entes, um.ser anônimo, impessoal, apreendido pelo sujeito pensante e expresso num conceito. A.corporeidade, a sensibilidade, os desejos, a dinâmica de relação com os outros, o nascer, o.viver, o sofrer, o morrer do humano transformaram-se em conteúdo objetivo, sintetizado e.representado num sentido puramente racional. Em vez da relação teórica abstrata na.determinação inteligível do ser, Levinas prioriza a busca do sentido do humano, onde se.verifica a possibilidade da relação metafísica do mesmo com o outro, sem que o outro.reduza-se ao mesmo, nem o mesmo se absorva na identidade do outro, mantendo, cada um,.a condição de separação e a verdadeira relação de alteridade. A relação ética de alteridade.torna-se lugar originário da construção do sentido e provocação eminente à racionalidade..O rosto do outro apresenta-se como apelo irrecusável de responsabilidade para com ele, que.tem como medida, a des-medida do infinito. O rosto não é um ente objetivo que possa ser.abordado de modo especulativo. O rosto fala e, ao proferir sua palavra, invoca o.interlocutor a sair de si e entrar na relação do discurso. A linguagem tem a excelência de.assegurar a relação entre o mesmo e o outro, que é transcendente em absoluto respeito à sua.alteridade. O infinito se mostra na subjetividade vivente na história, que pode desejar.outrem para além do sentido racional, objetivo e abstrato. Na relação com o outro, efetivase.a possibilidade do infinito dar-se sem padecer os horrores da violência do modo de.pensar entificante e totalizador. Ela faz reluzir o seu brilho como verdadeira alteridade.metafísica, que nos convoca a desejar aquilo que sabemos nunca poder saciar, o desejo.