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Eurípides, o poeta da paixão destrutiva

Maria de Fátima Silva

Autor
Maria de Fátima Silva
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
32
Ano
2024
DOI
10.36517/Argumentos..32.93220
Páginas
10-19
Idioma
pt
2024Maria de Fátima Silva. Eurípides, o poeta da paixão destrutiva. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 32, p. 10-19, 2024.1

Parece inesgotável a especulação que antigos e modernos têm feito, ao longo de milénios, sobre a preferência de Eurípides pela temática feminina. Através deste motivo, o poeta acompanhava a evolução da sociedade e da cultura gregas, transformando simbolicamente heroínas do passado, configuradas pela convenção mitológica, em mulheres sujeitas a outra contingência histórica e a critérios sociais em vigor no séc. V a.C. ateniense. Das muitas abordagens que o tema suscita, esta nossa reflexão irá focar-se numa perspectiva determinada: a vulnerabilidade feminina perante o assédio, a repercussão doméstica, social ou mesmo política, de uma violação indesejada, a rejeição familiar e social, e o castigo, diretamente exercido sobre a protagonista do episódio, condenada ao exílio ou à morte; como também, indiretamente, a crueldade dirigida contra uma criança inocente, cujo futuro parece aniquilado pelas tensões que sobre ela se refletem. Não existem dúvidas de que esta problemática traduzia preocupações em vigor no universo de Eurípides, em nome da defesa da dignidade das famílias e da preservação do património.