- Autor
- CAIO CARAMICO SOARES
- Orientador(a)
- FRANKLIN LEOPOLDO E SILVA
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2011
O presente trabalho é uma análise das obras de Albert Camus e de Jean-Paul Sartre sob o ângulo do que o crítico russo E. M. Mielietínski designou, em sua A.Poética do Mito, de remitologização moderna, fenômeno de revalorização do mito, forma de discurso e de pensamento supostamente arcaica, mas que, em pleno século XX –era que deveria marcar o auge da dessacralização e autonomização racional do homem–, ressurge como representação poderosa de explicitação da condição humana e do tempo presente..Um ressurgimento mais patente na literatura –com as obras de Joyce, Kafka e Thomas Mann, entre outros–, crítica literária e ciências humanas (especialmente a psicologia freudiana e junguiana e a etnologia), mas que também intervém de maneira significativa na filosofia ocidental, em bases que nos propomos a abordar em suas figurações particulares em Albert Camus e Jean-Paul Sartre..A célebre querela entre os dois, por conta da publicação por Camus de O Homem Revoltado, em 1952, oferece o contexto objetivo para uma investigação que,.contudo, vai além de tal episódio, e mesmo das diferenças exclusivamente ideológicas e filosófico-doutrinais ali em questão. Tomando por eixo privilegiado de análise justamente O Homem Revoltado, pretendemos estudar os principais aspectos da armação mitopoética da obra, à luz de suas ressonâncias em outras obras do autor, para depois lançar pistas para um cotejo deste específico """"mitologismo moderno"""" – que também propomos desvendar enquanto fenômeno de """"camuflagem do sagrado"""", segundo Mircea Eliade– com o que Sartre apresenta especialmente na peça As Moscas, em suas concepções dramatúrgicas em geral e também em textos como """"Erostrato"""" e o """"Prefácio"""" de Os Condenados da Terra, de Frantz Fanon, no que nos propomos chamar de a antropo(a)gonia mítica sartriana, calcada no valor simbólico da violência para a gênese do humano, em contraste com a """"nostalgia participativa"""" que, em Camus, une os.homens entre si e com a Natureza.
