- Autor
- Thiago Araujo Pinho
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 47 / 3
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2024.v47.n3.e0240032
- Páginas
- e0240032
- Idioma
- pt
Muitos pensam que a capacidade crítica e reflexiva, assim como a postura de acolher a contingência, o outro e o debate, é alguma energia interna e bem intencionada de pessoas com mente aberta, como defendem os liberais, quer de direita, quer de esquerda. O que não percebem é o quanto a capacidade de reflexão e diálogo é um fenômeno externo, presente no próprio mundo, produzido apenas graças a um espaço de resistências, encontros e até frustrações, a exemplo da esfera acadêmica e científica. Ele impede que meu cogito e meus convenientes esquemas epistêmicos saiam do controle, em um delírio transcendentalista perigoso, e se apoderem do mundo e das próprias circunstâncias. O objetivo deste ensaio é justamente compreender essa dimensão estética da ciência, essa característica ontológica que atravessa seus contornos, tomando como ponto de partida os conceitos de “importância”, em Whitehead, e matters of concern, em Bruno Latour.
