- Autor
- Jorge Luiz Viesenteiner
- Orientador(a)
- Oswaldo Giacoia Junior
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2009
Esta pesquisa tem por objetivo analisar a fórmula nietzscheana ‘tornar-se o que se.é’. Ela é uma alteração da expressão de Píndaro feita por Nietzsche, que o preocupou desde.os tempos de estudante até ser publicada como subtítulo de Ecce homo. Nossa hipótese é.que a fórmula ‘tornar-se o que se é’ pode ser compreendida através do conceito de.‘vivência’ (Erlebnis). Vivência significa estar ainda presente na vida quando algo acontece,.porém, nunca estamos conscientes da vivência quando ainda a atravessamos. Neste caso, a.vivência é um contra-conceito da razão e, como tal, é compreendida como pathos. Trata-se.de uma noção que, patheticamente, não pode ser conceitualmente sistematizada e nem.sequer comunicada através de signos lingüísticos, pois tão logo a racionalizamos ou.comunicamos, deixa de ser uma vivência. ‘Tornar-se o que se é’, porém, acontece.unicamente na vida e precisamente através das Erlebnisse, de modo que ‘tornar-se’ se.converte em um imenso processo de experimentação essencialmente fluido..Metodologicamente, a pesquisa está estruturada em três partes. No primeiro capítulo.analisamos um conceito imediatamente relacionado à Erlebnis: a noção de experimento..Trata-se de um conceito essencialmente prático e que congrega em torno de si uma.dimensão ético-estética no processo de ‘tornar-se o que se é’. À base deste conceito,.encontra-se o papel que a ciência ocupa em sua dupla variação semântica, sobretudo a.partir de Humano, demasiado Humano até A Gaia Ciência: ciência como propedêutica –.aquela que esvazia os erros ilusórios da razão e da ordenação moral do mundo – e como.paixão do conhecimento – aquela em que o espírito livre aprende a considerar a si mesmo e.o mundo esteticamente, em uma práxis efetiva de auto-formação. No segundo capítulo é.abordado o conceito de vivência. Partimos da sua origem etimológica e a recepção feita por.Nietzsche, passando pela desvinculação do seu caráter autobiográfico, em proveito da.interpretação como genealogia das condições nas quais um pensamento emerge e se.desenvolve, até sua interpretação como pathos. Vivenciar é atravessar patheticamente uma.trajetória, cujo movimento é realizado para além da intencionalidade, mas que constrói no.homem uma abundância de vida. A última parte da pesquisa trata da solução de dois.problemas que se originaram das interpretações anteriores: um problema de linguagem e.outro sobre a intencionalidade. Quanto à linguagem, trata-se de investigar como é possível.resolver o problema da comunicação de uma vivência, através de três variantes: primeiro, a.análise daquilo que denominamos como projeto crítico de inversão da compreensibilidade;.depois uma interpretação do que Nietzsche nomeou como sua ‘arte do estilo’ e, por fim, em.que medida Zaratustra corporifica as possibilidades de comunicação de uma tensão interna.de pathos. Em relação à intencionalidade, trata-se de compreender o ‘tornar-se o que se é’ a.partir de dois outros registros: por um lado, a idéia de destino, na medida em que,.etimologicamente, também significa pathos; por outro lado, trata-se de compreender a.fórmula ‘tornar-se o que se é’ sob o signo da fluidez (Fluktuanz)..Palavras-chave: experimento – vivência – pathos – compreensibilidade – linguagem –.intencionalidade
