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EXPLORAÇÃO SEXUAL E DINÂMICAS DE PODER: O BORDEL DE MAUTHAUSEN: The brothel of Mauthausen

Marcos Antônio da Silva Santos Ferreira

Autor
Marcos Antônio da Silva Santos Ferreira
Revista
Cadernos Arendt
Edição
6 / 11
Ano
2025
Páginas
145-165
Idioma
pt
2025Marcos Antônio da Silva Santos Ferreira. EXPLORAÇÃO SEXUAL E DINÂMICAS DE PODER: O BORDEL DE MAUTHAUSEN: The brothel of Mauthausen. Cadernos Arendt, v. 6, n. 11, p. 145-165, 2025.1

Este texto procura lançar luz sobre um aspecto frequentemente negligenciado da era nazista: a criação de bordéis em diversos campos de concentração. Bordéis foram estabelecidos em oito campos ao todo: Mauthausen (1942), Auschwitz (1943), Buchenwald (1943), Dachau (1944), Dora-Mittelbau (1944), Sachsenhausen (1944), Neuengamme (1944) e Flossenbürg (1943-1944). O foco deste estudo será o campo de concentração de Mauthausen, localizado nas proximidades de Linz, na Alta Áustria. Embora numerosos aspectos da ideologia e das práticas nazistas tenham sido amplamente explorados, as dimensões sexuais do regime permanecem, em grande parte, ignoradas — muitas vezes em razão de uma combinação entre o pudor dos investigadores e a escassez de fontes primárias, como relatos em primeira mão das mulheres submetidas a esses bordéis. Este estudo tem como objetivo examinar criticamente o uso da exploração sexual e de dispositivos de poder como instrumentos de dominação e controle no interior do regime nazista, particularmente no contexto dos campos de concentração. Dentro desse escopo, buscaremos apoiar-nos no aporte teórico de Hannah Arendt e Michel Foucault. Ao analisar tais práticas, o artigo pretende revelar de que maneira a violência sexual funcionava como ferramenta para reforçar a autoridade do regime e subjugar suas vítimas.