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Fascismo e a insaciada ânsia pelo pai

Mariana Lins Costa

Autor
Mariana Lins Costa
Revista
Prometeus - Journal of Philosophy
Edição
17 / 47
Ano
2025
DOI
10.52052/issn.2176-5960.pro.v17i47.22839
Idioma
pt
2025Mariana Lins Costa. Fascismo e a insaciada ânsia pelo pai. Prometeus - Journal of Philosophy, v. 17, n. 47, 2025.1

O objetivo deste ensaio é apresentar a hipótese freudiana da horda primordial para, em seguida, a partir de Adorno, esboçar uma compreensão do fascismo que não acompanha a conclusão desse pensador de inclinação marxista. Argumenta-se que o autoritarismo não se apresenta como uma anomalia histórica ou uma patologia social localizada, mas como um traço originário e constitutivo da cultura e da psique humana — um legado filogenético que teria moldado a passagem do animal ao humano e que se repete ontogeneticamente. Retomando as características essenciais do totemismo, discute-se como o desejo por autoridade e a obediência à figura paterna permanecem ativos nas formações sociais contemporâneas, manifestando-se com força particular no fascismo — quando a insaciável ânsia pelo pai ressurge no âmbito da política para as massas. Ao tensionar as hipóteses de Freud e Adorno, o artigo propõe que o fascismo deve ser pensado não como uma anomalia produzida pelo capitalismo, mas como um destino atemporal atualizado, porque estrutural: a restauração psíquica de um pai aniquilado pelo parricídio — um retorno da horda sob novas formas.