Faticidade e historicidade: a proto-religiosidade cristã como chave interpretativa da experiência fática da vida
Jairo Ferrandin
- Autor
- Jairo Ferrandin
- Orientador(a)
- Salma Tannus Muchail
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO — PUC/SP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2010
O presente trabalho pretende retomar o projeto de uma explicação fenomenológica das cartas paulinas referentes à experiência originária do cristianismo primitivo, elaborado por Heidegger em seu curso Einleitung in die Phänomenologie der Religion, de 1920-21. Nele, o filósofo procura desenvolver nova modalidade de acesso ao fenômeno religioso partindo da noção de experiência fática da vida em sua historicidade. Trata-se de nova reapropriação da tradição, não no sentido de repetição de objetividades e conteúdos, de teorias e doutrinas, mas pela destruição, que permite reaproximar-se das experiências geradoras do sentido. A noção de faticidade perpassa o conjunto das características peculiares que circunscrevem o pensamento inicial de Heidegger, especialmente no período de suas primeiras atividades acadêmicas. Possibilitará também a construção de novo conceito de filosofia, denominada como ciência originária ou como hermenêutica da faticidade, com sentido e conceitos próprios - os indícios formais - que a distinguirá dos ideais da objetivação científica. A retomada deste projeto heideggeriano tem também o intento de salientar como a dimensão religiosa e a teologia cristã ocuparam lugar central no desenvolvimento inicial da questão do sentido do ser, e quais suas possíveis contribuições e indicações decisivas para a discussão de temas fundamentais geradores das ideias básicas de Sein und Zeit
