Voltar para Artigos
Artigos

Fausto e a dúvida cartesiana

Rosiane de Sousa Mariano Aguiar

Autor
Rosiane de Sousa Mariano Aguiar
Revista
Argumentos - Revista de Filosofia
Edição
2
Ano
2009
DOI
10.36517/Argumentos.1.2.18931
Idioma
pt
2009Rosiane de Sousa Mariano Aguiar. Fausto e a dúvida cartesiana. Argumentos - Revista de Filosofia, n. 2, 2009.1

O presente trabalho apresenta uma análise dos temas fundamentais do Fausto de Goethe (1749- 1832). Nessa análise tentamos elucidar o enfrentamento de Fausto diante das questões pertinentes à condição do homem da modernidade, a exemplo da angústia, do desamparo, da falta de fé, da finitude, da relação com a natureza e com o absoluto etc. Este texto constitui-se basicamente de duas partes. A primeira compreende as questões que destacamos ser a problemática inicial do tema de Fausto, enfocando a dúvida e a solidão na cena “Noite”. Para nós, essa cena é o episódio emblemático da transformação de Fausto na tragédia goethiana. Nela, o protagonista lança os alicerces que sustentam a sua existência desmedida ao permitir que a dúvida ceda lugar à insaciabilidade, representada por um Fausto mefistofélico, arquétipo dos tempos modernos. A segunda parte é a relação de um ponto das Meditações de Descartes com a “Noite” do Fausto, ligação que se justifica pela importância daquele como o filósofo que inaugura o pensamento moderno e apresenta, dentre seu vasto legado filosófico, a dúvida enquanto carência de conhecimento (ciência) e demonstração do ceticismo do homem diante dos fundamentos da existência.