Fazer justiça [climática] às plantas: Um lugar para os vegetais na Ética das Virtudes
Jelson Oliveira, Grégori de Souza
- Autor
- Jelson Oliveira, Grégori de Souza
- Revista
- PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
- Edição
- 17 / 40
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.26694/pensando.vol17i40.8419
- Páginas
- 79-94
- Idioma
- pt
No presente artigo pretendemos ampliar o conceito de justiça climática para incluir os vegetais, compreendendo o conceito, portanto, não apenas como resposta à distribuição desigual dos danos ambientais entre seres humanos, mas como enfrentamento possível no horizonte da justiça multiespécies. Inspirados pela ética das virtudes, pretendemos demonstrar que a emergência climática envolve tanto injustiças distributivas e corretivas quanto injustiças por omissão, uma vez que a devastação do mundo vegetal decorre não só de ações diretas, mas também da passividade diante do desmatamento, da monocultura, da manipulação genética e da degradação ecossistêmica. Pretendemos argumentar ainda, amparados em Jonas, que as plantas não podem ser tratadas como meros recursos, pois possuem valor intrínseco, finalidade própria e papel decisivo na manutenção das condições da vida terrestre. Em diálogo crítico com Martha Nussbaum (metodologicamente falando, aproveitando-se dos seus argumentos para denunciar o limite das suas posições) e com fundamento ontológico e ético em Hans Jonas, defendemos que a noção de justiça deve ser estendida às plantas, entendidas como seres vivos cujo florescimento precisa ser protegido. Por fim, propomos que a admiração e a indignação operem como virtudes de uma ética vegetal, capazes de romper a indiferença antropocêntrica e sustentar uma ética e uma política fitocêntrica orientada pela responsabilidade, pelo cuidado e pela preservação da biodiversidade.
