- Autor
- Carlos Henrique Machado
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 48
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2025.v48.n6.e025152
- Páginas
- e025152
- Idioma
- pt
Este artigo investiga um regime de percepção fora da linguagem, da representação e da forma-sujeito, tomando como ponto de partida a noção de sínteses passivas, desenvolvida por Gilles Deleuze. Trata-se de compreender como o corpo se organiza, sensivelmente, a partir de afetos e ritmos que não passam pela significação ou pela consciência reflexiva. Essa sensibilidade impessoal é articulada às experiências do educador francês Fernand Deligny com crianças autistas não verbais, cuja orientação no mundo não se dá por meio da linguagem, mas por gestos, trajetos e repetições que operam fora da economia simbólica. O artigo defende que tais gestos expressam um modo de existência singular, uma vida sensível, que escapa ao paradigma normativo da comunicação. Ao deslocar o foco do sujeito para o campo das forças impessoais da percepção, o texto propõe uma ética e uma política da diferença, na qual a linguagem deixa de ser critério de humanidade. O autismo, nesse contexto, não aparece como déficit, mas como abertura para um outro modo de estar no mundo Submissão: 02/8/2025 – Decisão: 04/9/2025 – Revisão: 05/9/2025 – Publicação: 22/9/2025
