- Autor
- Antonio Juliano Ferreira Lopes
- Revista
- Revista Ágora Filosófica
- Edição
- 23 / 1
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.25247/P1982-999X.2023.v23n1.p43-61
- Páginas
- 43-61
- Idioma
- pt
O processo existencial inerente ao tornar-se cristão supõe uma escalada composta por rupturas, saltos qualitativos e escolhas que refletem diretamente o estádio existencial no qual o indivíduo se encontra. Se a evolução no interior do cristianismo é possível, é porque ela exige a ação consciente provocada pela decisão que marca a transição entre esferas qualitativas. Tanto a dimensão estética quanto a dimensão ética do cristianismo se mostraram insuficientes para conduzir o Homem ao renascimento inerente ao tornar-se cristão. Apenas o estádio religioso encontra a fé e apenas essa media o devir cristão e a construção edificante do eu; logo, se faz necessário compreender a função da fé nesse processo e de qual fé se trata. É preciso estabelecer a relação entre fides quae e fides qua, entre o objeto da fé e a atitude da fé. De acordo com a tradição teológica, fides qua indica o ato subjetivo do crer, a fé em sua forma pura, enquanto a fides quae indica o objeto da crença que no cristianismo é identificado com o conteúdo da revelação. A conversão do tornar-se cristão se efetivaria mediante a crença no Cristo em consonância com a relação que a subjetividade mantém para com a transcendência divina. Entender a correlação entre fides qua e fides quae na filosofia kierkegaardiana é compreender do que se trata o cristianismo idealizado pelo autor danês e perceber a relação entre subjetividade e objetividade na tarefa do tornar-se cristão.
