Voltar para Artigos
Artigos

Figurae archaeologiae: genealogia e arqueologia no pensamento de Giorgio Agamben

Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto

Autor
Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto
Revista
Princípios: Revista de Filosofia (UFRN)
Edição
33 / 70
Ano
2026
DOI
10.21680/1983-2109.2026v33n70ID40843
Idioma
pt
2026Andityas Soares de Moura Costa Matos, Antônio Lopes de Almeida Neto. Figurae archaeologiae: genealogia e arqueologia no pensamento de Giorgio Agamben. Princípios: Revista de Filosofia (UFRN), v. 33, n. 70, 2026.4

Este artigo analisa o contato entre genealogia e arqueologia no pensamento de Giorgio Agamben, destacando suas diferenças, complementaridades e implicações epistemológicas. Defende-se que, embora Agamben intercambie muitas vezes os dois termos, trata-se de procedimentos distintos em sua obra. Nesse sentido, a genealogia opera com documentos lato sensu, destituindo as tradições e identidades substancializadas. Por sua vez, a arqueologia filosófica emerge como regressão an-árquica que, partindo de um problema ou de um dispositivo contemporâneo, investiga pontos de insurgência recobertos por essas operações. O texto se organiza em quatro seções, iniciando-se com (1) um mapeamento das práticas genealógicas e arqueológicas em Nietzsche e Foucault e, em seguida, discutindo (2) a reconfiguração desses métodos por Agamben, com especial atenção à influência benjaminiana. Em um terceiro momento, expõe-se (3) as principais figuras da arqueologia agambeniana para então se efetivar (4) uma análise dos dispositivos ou máquinas, culminando na proposta de uma salvação profana da história. Conclui-se que Agamben propõe uma epistemologia an-árquica e in-disciplinar que, ao profanar os fundamentos da tradição canônica, torna possível a abertura de novos usos do pensamento e da história.