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Filosofia da Religião e Niilismo

Hélio Pereira Lima

Autor
Hélio Pereira Lima
Revista
Revista Ágora Filosófica
Edição
19 / 3
Ano
2019
DOI
10.25247/P1982-999X.2019.v19n3.p155-185
Páginas
155-185
Idioma
pt
2019Hélio Pereira Lima. Filosofia da Religião e Niilismo. Revista Ágora Filosófica, v. 19, n. 3, p. 155-185, 2019.2

Não poderia deixar de ser observado pela filosofia que o panorama atual da modernidade tardia acrescenta um componente disjuntivo, se considerado à luz do veredicto nietzschiano sobre a morte de Deus. A novidade que se faz presença é o revival religioso. Assim, caso se pretenda compreender tal componente, a Filosofia da Religião teria que sair de um certo ostracismo, decerta feita até cômodo, e ver que a religião vem ocupando o espaço pú-blico e os meios de comunicação, a ponto de se tornar causa eficiente que influencia a pauta corrente de ques-tões político-governamentais, o que tem sido comum no cenário recente no país. A impressão que se passa é que a religião recobrou sua relevância na vida da sociedade a ponto de su-plantar o niilismo, tema em voga até a segunda metade do século passado. Se isso é verdade, o que se pretende, num recorte histórico-hermenêutico, é lançar algu-mas indagações seminais para verificar até que ponto o niilismo foi desban-cado pela religião e, assim, teve que migrar, enquanto temática, do centro para a periferia do debate, porque perdeu relevância enquanto ameaça ao sentido da existência humana, uma vez que a religião venceu a batalha da crise de sentido.