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Filosofia moral e economia política na obra de Adam Smith

HUGO EDUARDO ARAÚJO DA GAMA CERQUEIRA

Tese
Autor
HUGO EDUARDO ARAÚJO DA GAMA CERQUEIRA
Orientador(a)
IVAN DOMINGUES
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS — UFMG
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005HUGO EDUARDO ARAÚJO DA GAMA CERQUEIRA. Filosofia moral e economia política na obra de Adam Smith. 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, MG. Orientador(a): IVAN DOMINGUES.2

Esta tese retoma a discussão sobre a relação entre a filosofia moral e a economia política de Adam Smith. Voltando nossos olhos para um conjunto mais abrangente de textos – cartas, manuscritos, notas de aula, além, naturalmente, dos dois livros que Smith publicou – e considerando-os a partir de um ponto de vista que valoriza sua vinculação aos problemas e concepções próprios à filosofia moral do Iluminismo escocês, o texto procura pôr em questão o papel que é convencionalmente atribuído a este pensador no surgimento da economia como domínio teórico separado da ética..O argumento é desenvolvido ao longo de cinco capítulos. O primeiro [Situando o problema: modos de ler a obra de Smith] procura recuperar os traços mais gerais da trajetória de recepção da obra de Smith ao longo dos mais de dois séculos que nos separam do seu surgimento e caracteriza as principais abordagens metodológicas que presidiram estes esforços de leitura..O segundo capítulo [Smith e seu contexto intelectual: o Iluminismo escocês] expõe o contexto intelectual no qual a obra de Smith foi produzida e a partir do qual deve ser interpretada: o contexto proporcionado pelos debates que marcaram o surgimento e o desenvolvimento do Iluminismo escocês. .O terceiro capítulo [A mão invisível de Júpiter e o método newtoniano de Smith], explicita a compreensão particular que Smith tinha da filosofia e da ciência, dos motivos que impulsionam e dirigem nossos esforços de compreender os mundos natural e moral, e dos métodos que devem ser seguidos em sua investigação e na exposição dos resultados alcançados, métodos que ele mesmo adotaria em sua obra. Ao mesmo tempo, procuramos desfazer os equívocos acumulados ao longo do tempo pelos intérpretes que viram em Smith um adepto do mecanicismo e de um “positivismo” avant la lettre, equívocos que sustentam leituras enganadoras de sua economia política..À luz destes argumentos, propomos uma compreensão alternativa do conteúdo e da relação entre a filosofia moral e a economia política de Smith. Este é o tema dos capítulos finais, que polemizam com a interpretação formulada por Louis Dumont acerca do processo de delimitação do domínio da economia e de sua emancipação em relação à ética. Para este autor, a constituição da economia como uma disciplina autônoma foi uma operação consumada por Adam Smith, que teria distinguido um domínio das ações econômicas – isto é, das ações movidas exclusivamente pelo auto-interesse – separado e contraposto às demais esferas da sociabilidade. O quarto capítulo [Ética e economia: a “sociedade como um espelho”] se contrapõe a esta interpretação, apresentando as linhas básicas da teoria moral de Smith e detendo-se na análise dos conceitos de simpatia e justiça. Por sua vez, o quinto capítulo [Ética e economia: o “sistema de liberdade natural”] mobiliza estes conceitos para compreender o argumento de Smith na Riqueza das nações, explorando a conexão estabelecida pelo autor entre a riqueza e a liberdade, conceitos que são pensados a partir dos resultados do desenvolvimento do que ele denomina de “sociedades comerciais”. .Longe de estabelecer uma cisão entre o domínio da economia e o da ética, argumentamos que Smith concebia sua economia política ou seu “sistema de liberdade natural” como um desdobramento de sua filosofia moral. Neste sentido – e contrariamente à compreensão que prevalece até hoje entre os economistas –,mostramos que, ao mesmo tempo em que se opõe à tradição vigente até sua época e que contrapunha o impulso aquisitivo, próprio das economias mercantis, aos valores morais, a obra de Smith preserva os liames que unem aquelas duas disciplinas.