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Formulação de um Nietzsche montaigniano

Marcelo Henrique Pereira Costa, Marcos de Camargo Von Zuben

Autor
Marcelo Henrique Pereira Costa, Marcos de Camargo Von Zuben
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
7 / 2
Ano
2014
Páginas
25-47
Idioma
pt
2014Marcelo Henrique Pereira Costa, Marcos de Camargo Von Zuben. Formulação de um Nietzsche montaigniano. Trilhas Filosóficas, v. 7, n. 2, p. 25-47, 2014.3

Eis o nosso ponto de partida: ao reivindicar e ser fiel à tradição francesa em filosofia, Nietzsche se torna, por conseguinte, um herdeiro direto do autor dos Ensaios, Montaigne. Para defender essa proposta de leitura avaliamos, num primeiro momento, a concepção de tradição francesa em filosofia. Em seguida, à luz de excertos das obras dos dois pensadores, articulamos diálogos a partir de cada ponto caracterí­stico dessa mesma tradição. Assim, por exemplo, sobre a questão da clareza na escrita filosófica, Montaigne despreza o obscurantismo e o apelo à dificuldade, ao passo que Nietzsche diz que ser claro é uma exigência moral de quem se sabe profundo. Igualmente a recusa dos sistemas, as potencialidades éticas do subjetivismo, o pragmatismo existencial decorrente do pensamento que afirma o eu e os aspectos literários de suas obras são fortes pontos de convergências entre os dois filósofos. Em suma, nosso trabalho objetiva filiar intelectualmente Nietzsche a Montaigne.