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Foucault e a escuta no pitagorismo: uma prática entre a filosofia e a espiritualidade

Fabiano Incerti

Autor
Fabiano Incerti
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
24 / 3
Ano
2024
DOI
10.31977/grirfi.v24i3.4963
Páginas
247-255
Idioma
pt
2024Fabiano Incerti. Foucault e a escuta no pitagorismo: uma prática entre a filosofia e a espiritualidade. Griot : Revista de Filosofia, v. 24, n. 3, p. 247-255, 2024.3

Nas práticas filosófico-espirituais propostas pelos antigos greco-romanos para o cuidado de si (epiméleia heautoû), destacam-se aquelas relacionados à escuta. Escutar caracterizou-se, no interior de uma série de exercícios, como ler, escrever, memorizar e meditar, a forma primeira e mais privilegiada de apropriação da verdade pelo sujeito. Partindo das análises realizadas por Michel Foucault acerca do cuidado de si em sua Hermenêutica do Sujeito e passando por comentadores fundamentais do pensamento de Pitágoras, este trabalho tem por objetivo abordar a escuta, possivelmente em suas orientações mais antigas, como processo de domínio de si e como prática ascética. Atravessado pela exigência da escuta e do silêncio, como exercício obrigatório de introdução e permanência na escola, o discípulo pitagórico era convidado a transformar-se, em vista de buscar constantemente a sabedoria, a exemplo de seu mestre.