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Teses

Foucault e a geometria do saber

Ronaldo Duarte da Silva

Tese
Autor
Ronaldo Duarte da Silva
Orientador(a)
ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2002
2002Ronaldo Duarte da Silva. Foucault e a geometria do saber. 2002. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): ROBERTO CABRAL DE MELO MACHADO.2

Este trabalho pretende mostrar que a análise arqueológica, em As palavras e as coisas, situa as condições de possibilidade da modernidade não no tempo e sim no espaço, cujas transformações, no final do século XVIII, seriam o fundo comum de onde puderam emergir, de um lado, as ciências da vida, do trabalho e da linguagem, e de outro, o homem como ser fundamental. Nos capítulos I e II, mostraremos que, do ponto de vista arqueológico, os saberes positivos modernos - biologia, filologia e economia - descobrem sua possibilidade não em uma história contínua destinada ao homem, e sim no surgimento de um novo espaço positivo no interior das coisas: as organizações vivas, os sistemas gramaticais, e as formas de produção. Nos capítulos III e IV, tentaremos demonstrar que, em As palavras e as coisas, o tempo positivo dos seres - descoberto pelas ciências modernas - e a historicidade fundamental do homem, revelada pela analítica da finitude, encontrariam sua possibilidade comum nas transformações no espaço do saber e pensar, ocorridas no final do século XVIII. Na conclusão, indicaremos que o espaço estaria na raiz de três aspectos importantes da arqueologia: a visão descontínua da história; a geometria do saber, ou seja, o recurso às noções de deslocamento, lugar, posição, disposição na análise da ciência e da filosofia; finalmente, uma nova compreensão do ser da linguagem - para a tradição moderna, a linguagem é tempo; para Foucault, ela é espaço.