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FOUCAULT, PARA ALÉM DE “VIGIAR E PUNIR”

Inês Lacerda Araújo

Autor
Inês Lacerda Araújo
Revista
Revista de Filosofia Aurora
Edição
21 / 28
Ano
2009
DOI
10.7213/rfa.v21i28.1135
Páginas
39-58
Idioma
pt
2009Inês Lacerda Araújo. FOUCAULT, PARA ALÉM DE “VIGIAR E PUNIR”. Revista de Filosofia Aurora, v. 21, n. 28, p. 39-58, 2009.1

O que é preciso para governar? Como entender melhor a expressão de Foucault “Somos todos governados”? Responder a tais questões implica em ir além de Vigiar e Punir. Os cursos Segurança, Território, População (1977-1978) e Nascimento da Biopolítica (1978-1979) não só complementam a análise dos dispositivos da vigilância, da punição, da disciplina, como vão além, até os sistemas de segurança da moderna governabilidade, que inicia em meados do século 18 e vem até nossos dias. Há inumeráveis maneiras de governar, de influenciar a conduta, as ações, as reações, de governar crianças, a família, a casa, as almas, as comunidades, diz Foucault, mas sua pergunta é pela maneira de governar os homens através do “exercício da soberania política”, ou melhor, “da racionalização da prática governamental no exercício da soberania política”. Assim ele mostra que houve uma arte de governar (razão de Estado) que se transforma, pela economia política, em governo da população, cujo pano de fundo é o liberalismo e cujo regime de verdade é o mercado.