- Autor
- Ada Jimena Garcia Menendéz
- Orientador(a)
- Richard Theisen Simanke
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS — UFSCAR
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2011
Esta tese propõe a existência de uma teoria original da percepção na psicanálise que subverte as concepções filosóficas e psicológicas tradicionais. A fim de reconstruir e caracterizar essa doutrina do perceber, não explicitada em Freud, nossa metodologia consistiu em reler os textos freudianos à luz da filosofia e de diversas correntes do movimento psicanalítico. O trabalho seguiu um caminho que nos conduziu de uma arqueologia da metapsicologia freudiana – que permitiu esboçar uma gramatica do perceber – à constatação da dimensão intrinsecamente pulsional do funcionamento perceptivo. No que diz respeito à « gramatica » da percepção, Freud insere-se na tradição que vincula a percepção à materialidade do traço, especialmente com a noção fundamental de traço mnêmico. Do começo da sua obra, a percepção é pensada no registro do gramma, da letra, do caractere de escrita. Ora, as regras da escrita psicanalítica da percepção delineiam uma gramatica particular, paradoxal, que se desenha no horizonte da perda e dos tempos plurais, orientados pelo l’après-coup. A percepção está irremediavelmente ancorada numa dimensão negativa, de resto. Quanto à “erótica” da percepção, a verdadeira revolução da doutrina analítica do perceber consiste em revelar que a percepção escapa da absorção sem resto pela fisiologia: ela é transtornada, pervertida, pela lógica pulsional. Encontramos a percepção na trajetória dessa interseção, em um local mestiço, entre a gramática da imagem e da palavra e seu além, erótico, pulsional.
