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GRAMSCI E O NOVO PROGRAMA

Fernando Frota Dillenburg

Tese
Autor
Fernando Frota Dillenburg
Orientador(a)
ALCIDES HECTOR RODRIGUEZ BENOIT
Universidade
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2011
2011Fernando Frota Dillenburg. GRAMSCI E O NOVO PROGRAMA. 2011. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, SP. Orientador(a): ALCIDES HECTOR RODRIGUEZ BENOIT.2

O objetivo deste trabalho é discutir os problemas relacionados com um programa socialista transitório para o proletariado na nossa época histórica. Existiria a necessidade, do ponto de vista marxista, de um novo programa? Seria necessário um novo programa em relação àquele proposto por Marx e Engels no século XIX e aplicado pelos bolcheviques na Revolução Russa de 1917? Este programa do século XIX e de 1917 estaria superado? Como sabemos, este programa originário se embasa na teoria da revolução permanente e na construção de uma dualidade de poder, expostas por Marx e Engels já na Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas (1850), experiência amplamente vivenciada durante as revoluções russas de 1905 e 1917. Mas, afinal, essas concepções seriam válidas ainda no decorrer do século XX e, sobretudo, nos países capitalistas ocidentais? Para aprofundar tal questionamento, escolhemos o dirigente marxista Antonio Gramsci como interlocutor por considerá-lo um expoente nessa tarefa de reformulação do programa clássico. É inegável o impacto mundial causado por sua obra, sobretudo aquela da maturidade, conhecida como os Cadernos do Cárcere, a ponto de ser considerado por muitos intérpretes como o fundador de uma nova teoria da política. Os Cadernos do Cárcere sofreram forte influência da derrota do proletariado italiano em sua tentativa de instalar uma dualidade de poder nas principais fábricas de seu país, por meio do movimento dos conselhos de fábrica. Esta derrota, associada às derrotas do proletariado de outros países, como na Alemanha e na Hungria, fez com que Gramsci passasse a repensar a estratégia revolucionária a ser aplicada nos países desenvolvidos do Ocidente. Neste trabalho, procuramos interrogar a proposta do novo programa gramsciano, à luz dos fundamentos do programa originário apresentado por Marx e Engels, além de comparar as posições do autor dos Cadernos a respeito das formas de organização partidária antes e depois de sua prisão.