- Autor
- Paulo Jesus
- Revista
- Trans/Form/Ação
- Edição
- 48
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.1590/0101-3173.2025.v48.n4.e025193
- Páginas
- e025193
- Idioma
- pt
Este ensaio propõe uma perspectiva inovadora sobre a guerra, ao defini-la não como prolongamento da agressividade individual e da violência privada, mas como violência pública intergrupal, produto de inteligência e força coletivas. A guerra distingue-se qualitativamente dos conflitos interindividuais, porque pressupõe organização técnico-simbólica, memória e ideologia partilhadas, coordenação estratégica e legitimação política. Assim, rejeita-se a naturalização da guerra e da paz — quer sob a forma de teodiceias, quer de antropologias filosóficas — e se defende a sua contingência histórico-cultural, enquanto processos epigenéticos e técnicos da socialidade humana. Ao construir uma tipologia diferenciada da violência (intergrupal, interindividual, híbrida, unilateral, pseudobélica), o texto oferece uma nova taxonomia que esclarece o sentido específico da guerra como fenómeno motivado, coletivo e contingente. A paz surge, correlativamente, como possibilidade antropológica e jurídica enraizada na autocrítica cívica, na deliberação política e na capacidade cooperativa. O contributo original reside na articulação entre filosofia da guerra e ética/direito cosmopolita, propondo uma reconstrução conceitual das fronteiras e das relações entre violência, guerra e paz. Submissão: 07/8/2025 – Decisão: 30/9/2025 – Revisão: 21/10/2025 – Publicação: 3/11/2025
