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Teses

Hábito, Memória e Acontecimento: o problema do tempo em Deleuze

Angelica de Britto Pereira Pizarro

Tese
Autor
Angelica de Britto Pereira Pizarro
Orientador(a)
Déborah Danowski
Universidade
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012Angelica de Britto Pereira Pizarro. Hábito, Memória e Acontecimento: o problema do tempo em Deleuze. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): Déborah Danowski.1

“Em todos os meus livros procurei a natureza do acontecimento, é um conceito filosófico, o único capaz de destituir o verbo ser e o atributo”. Nessas palavras de Deleuze, em Conversações, encontramos a razão que move todo o seu investimento filosófico: demolir a ontologia do Mesmo e do Uno, permitindo que o novo, expresso pelo Acontecimento ou Devir, retorne eternamente. Seu intuito é alcançar todo um mundo fora do domínio do Ser que afronte o pensamento, fazendo-o operar, ou seja, devolvendo-lhe o direito de criar. Mas o que permite a Deleuze conceber o pensamento como criação? Nossa hipótese é que a resposta a essa questão se encontra em sua concepção de tempo, ou seja, o tempo não como forma a priori da intuição sensível, mas sim como dimensões heterogêneas que, embora difiram entre si, são indiscerníveis, compondo uma multiplicidade intensiva que sempre retorna diferente de si, ou, simplesmente, devém. O hábito funda o presente (e a subjetividade), o passado é fundamento do presente que passa. Ambos são os alicerces do futuro, mas o futuro os abandona para tornar-se ele mesmo incondicional, um a-fundamento, deserto pânico no qual o único viandante é a potência que faz voltar o novo.