HANNAH ARENDT – A SINGULARIDADE DOS NOVOS COMEÇOS: AÇÃO, DISCURSO E NARRATIVA
Luiz Paulo Matias, Elsio José Corá
- Autor
- Luiz Paulo Matias, Elsio José Corá
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 49
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i49.10297
- Páginas
- 223-237
- Idioma
- pt
O propósito central deste artigo reside na análise da maneira pela qual um evento totalitário, em sua singularidade assustadora, aniquila a brevidade libertadora e espontânea da ação e do discurso, resultando na consequente anulação da possibilidade narrativa. Nesse contexto, a modernidade, caracterizada pelo entusiasmo diante dos avanços científicos e tecnológicos, é compartilhada por regimes totalitários que almejam suprimir o espaço comum, invalidando a esfera pública, amalgamando indivíduos em um coletivo massificado, cercando-os com um opressivo "cinturão de ferro". Todavia, é importante ressaltar que, mesmo diante do êxito dos regimes totalitários em eliminar a espontaneidade da ação e do discurso, bem como restringir a liberdade de inaugurar novos começos, o ato de contar estórias retém sua relevância. Mesmo considerando a irreversibilidade e inevitabilidade dos eventos passados, a prática de narrar oferece a oportunidade, não apenas de refletir sobre ações pretéritas, mas também de reexaminar o presente e o futuro. Ao fazê-lo, não se direciona a atenção somente aos desfechos previsíveis, mas sim à promessa subjacente de apresentar o mundo comum a novos habitantes.
